Vou me roubar de mim.
Ou se você quiser, pode ficar. Cada pedaço de mim, escolha o melhor e carregue.
Não sou tão frágil assim, mas às vezes quebro com o toque.
O que me incomoda é o jeito com que você me lê.
Não sou assim tão diferente, sou metamorfose. Mudo sempre que me convém. Você deve se acostumar com isso.
Não tenho planos. Futuro é passado depois de amanhã. Então deixo que ele venha e me tome, que leve até se cansar.
Não me importa a complexidade das coisas. O simples é atrativo: o menor, o menos, o pouco, a essência. A essência do essencial.
O que me incomoda é a cegueira. Fruto podre que contamina os sadios.
Sou perigosa. Tenha cuidado comigo. Sou aquela que te faz acordar sempre que você tem um sonho bom.
Isso aqui é realidade. E aqui você deve sonhar, porque senão apodrece.
Eles levam sua vida num minuto que se distrai. Como uma caçada.
Aqui a coisa é assim: ou caça ou morre. Morre de fome.
O que me incomoda é que você percebe e nada faz.
O silêncio me consome. Eu me grito, me grito e não acho nada.
Bato na porta, não vem ninguém.
Acho que fui embora. Você não quis.
Me roubei de mim.

