sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

do Furto...

Vou me roubar de mim.

Ou se você quiser, pode ficar. Cada pedaço de mim, escolha o melhor e carregue.

Não sou tão frágil assim, mas às vezes quebro com o toque.

O que me incomoda é o jeito com que você me lê.

Não sou assim tão diferente, sou metamorfose. Mudo sempre que me convém. Você deve se acostumar com isso.

Não tenho planos. Futuro é passado depois de amanhã. Então deixo que ele venha e me tome, que leve até se cansar.

Não me importa a complexidade das coisas. O simples é atrativo: o menor, o menos, o pouco, a essência. A essência do essencial.

O que me incomoda é a cegueira. Fruto podre que contamina os sadios.

Sou perigosa. Tenha cuidado comigo. Sou aquela que te faz acordar sempre que você tem um sonho bom.

Isso aqui é realidade. E aqui você deve sonhar, porque senão apodrece.

Eles levam sua vida num minuto que se distrai. Como uma caçada.

Aqui a coisa é assim: ou caça ou morre. Morre de fome.

O que me incomoda é que você percebe e nada faz.

O silêncio me consome. Eu me grito, me grito e não acho nada.

Bato na porta, não vem ninguém.

Acho que fui embora. Você não quis.

Me roubei de mim.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Assim...


Uma quente noite de verão.

O tempo era um nublado e não impedia o calor de se mostrar presente, aquecendo os corpos que pela rua passavam.

A lua não se mostrara.

Não havia resquício de luar nem de estrelas. Ela procurava ambos.

Nada.

Duas vidas e um início.

O início de alguma página, pronta, ansiosa na espera por ser escrita.

O açaí que descia pela garganta, era doce, assim como doce era a companhia.

"Comer pipoca é algo especial", e por isso, andaram a cidade em busca da melhor pipoca da região. Repartiram.

Mas o melhor, o melhor mesmo: dorso no dorso. cabeça com cabeça.

e o som da água caindo, selando a noite.

A respiraçao.

A certeza da presença.

Já não era mais eu. Era mais.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Saudosamente Saudade.

Saudade da meninez
Saudade dos tempos de paz (?)
Do carrossel, do peito...
De fingir doença
De comer infinitos baldes de pipoca
Do algodão doce que doce deixava a boca...
De tomar banho de mangueira
De mostrar a língua pro moço da rua
Das conversas de alguém que não existia
Nem nunca existiu.
Ah minha menina, onde foi mesmo que te perdi?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Por acaso : Acaso


Mas o grito não deixava de sair da boca seca daquele menino.
Sim, era menino, ainda sabia sonhar, não era como os adultos que estavam sempre à sua volta.
Era um grito rouco e seco, no meio do campo, onde ninguém mais poderia ouvir. Isso era o que menos desejava. Fechou os olhos, só se ouvia o ruído de alguns pássaros, alguns insetos e da própria respiração. Chegou o momento de perder-se, para não mais se encontrar.
Por um instante alguns fatos: a copulação, a voz de sua mãe, a dor do nascimento. Depois a infância, com suas muitas brigas no colégio e suas macaquices. O primeiro beijo: a garota do óculos que era maior que o próprio rosto -sorriu-, ela era linda, e os óculos? Ah..eles lhe davam um ar todo especial que somente ela sabia ter...
Lembrou dos amigos, das noites e bebedeiras...das caças às mulheres em que sempre fora o mais desastrado. Não tinha jeito nenhum com elas, embora passasse horas espiando-as pela janela, enquanto tomavam banho depois da educação física.
Seu primeiro amor? Lorena...aquela morena dos cabelos negros, nos quais sempre fazia questão de se enfiar. Era como uma flor, a Lorena. Uma flor de lótus, sensível e sagrada. Fora a sua primeira mulher, em tudo. Era um viciado, e o ópio? Lorena...
Foi quando um dia no bosque enquanto colhia flores para oferecer a ela, avistou-a na outra margem do lago. Mas ela não estava só. Ele correu.
Somente nesse instante lembrou-se o fato que o fez chegar até o local, sozinho, retirado, em outro estado. Abriu os olhos e fitavam os dele outros dois grandes e vivos olhos cor de mel. Ela pegou uma das rosas deixadas por ele durante o caminho. Ofereceu-lhe. Juntamente com essas duas palavras: - Você também?
Sorriram. Pôr do Sol...