
O menino jogava pião no chão de terra. O pião não rodava. Ele estava passando por um grande desafio. Era seu único brinquedo.
O alimento? Quando não tinha fubá, o melhor mesmo era tentar disfarçar a fome.
Rodava o pião, ele parava. Foi quando percebeu que o chão de sua terra era todo esburacado, cheio de imperfeições, o que lhe impedia brincar com o pião.
Com as mãozinhas nos olhos, chorou.
O choro lhe veio como purificação.
Levantou-se, abriu os olhos, deu um suspiro longo e confiante, como se sua vida dependesse dele.
E dependia: deu o primeiro passo. Seguiu caminhando.